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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "Paraíba exuberante"

    Publicado em Oct 11, 2014

    A Paraíba e seus lugares incríveis e inesquecíveis, onde a natureza nos presenteia com cenários diversos e encantadores.

    É uma pena que muitas vezes nós paraibanos quase sempre não reconhecemos os valores da nossa terra, e de vez em quando preferimos viajar para outros estados, ou mesmo, para os Estados Unidos da América, Europa e até para países da Ásia.

    Com isso, deixamos de fazer o denominado turismo local, perdemos assim a possibilidade de vivenciar in locu nossos esplendorosos pontos turísticos e a própria história da Paraíba. Temos um litoral lindo, porém, quase inexplorado pelos paraibanos.

    Dos filhos desta terra, talvez 10% conheçam verdadeiramente as praias paraibanas. Os turistas que aqui chegam, certamente aproveitam mais de perto essas belezas.

    Residimos na capital paraibana desde 1974. Já percorri diversas praias do Estado, achando que realmente as conhecia plenamente. Ledo engano. Recentemente realizamos um passeio de bugre com destino ao litoral sul. Saí de Tambaú logo cedo da manhã num bugre com destino as paradisíacas praias.

    Com velocidade moderada, passamos pela Estação Ciência, pelas praias dos Seixas, Jacarapé, do Sol até que chegamos à praia de Gramame. Ali fomos apresentados a um goiamum adestrado, atração maior de um dos seus bares. Fizemos algumas fotos do goiamum repousando tranquilamente em nossas mãos e passeando por cima dos nossos ombros. A maré ainda estava cheia. Fiquei por alguns minutos contemplando o encontro do rio Gramame com o oceano.

    Presenciamos a força inexplicável da natureza, onde o mar puxava rapidamente as águas do rio Gramame para si, ao tempo em que fazia surgir bancos de areia.

    Aproveitando a maré seca, partimos pela beira-mar. Visualizamos enormes e belas falésias. Depois retornamos ao asfalto. Mais adiante o bugueiro disse que ia nos levar um dos mais exuberantes lugares daquele litoral, uma ponta de falésia, altíssima, denominada “O Dedo de Deus”. Saímos da pista de rolamento e entramos por um caminho estreito de terra, que mais parecia um braço.

    Andamos até que nos deparamos com outras veredas. Numa delas, segundo guia, era o caminho para o Dedo de Deus. Pediu, então, que fechássemos os olhos. Assim o fizemos. Logo depois abrimos e descortinamos um cenário divino. Estávamos no topo do Dedo de Deus, um penhasco com formato de dedo, com a visão voltada para a praia de Coqueirinho.

    Fascinante, o céu azul, o mar, rochas, o verde da mata, a falésia, enfim, a praia de Coqueirinho indescritivelmente bela. Poucos paraibanos conhecem esse local, verdadeiramente paradisíaco. A Paraíba é rica, pobres são aqueles que dizem o contrário.


  • "Livre-arbítrio"

    Publicado em Oct 21, 2014

    Livre-arbítrio é a vontade livre de escolha, a capacidade que o homem tem de se determinar por si mesmo, de agir ou não agir, sem ser constrangido a isso por força alguma.

    Paras os cristãos, o livre-arbítrio passa pela condição que Deus dá ao homem para agir e ser livre, com autonomia de realizar e definir suas próprias escolhas, incluindo-se aí aquelas que não estão de acordo com a vontade divina.

    É aquela história, Deus tem o poder de impedir que o homem faça o bem e o mal, porém, permite que o homem decida o caminho a ser seguido, ele é o responsável pelos seus próprios atos.

    Já o espiritísmo, explica que toda causa provoca um efeito e que todo efeito advém de uma causa. Com isso, Deus aparece como a causa primária de todas as coisas.

    Enfoca, ainda, que o livre-arbítrio ganha proporções maiores à medida que o grau de evolução moral e intelectual do espírito se desenvolve. Nesse contexto, o livre-arbítrio é a liberdade de escolha que temos dentro das limitações que nos impomos por falta de evolução moral e intelectual, enfim, falta de conhecimento.

    É privilégio fundamental da essência humana. É algo difícil de ser exercitado. Muitas vezes o livre-arbítrio encontra pela frente a dúvida de agir pela razão ou pelo coração.

    Àqueles com espírito evoluído, terão a prudência de sopesar o seu agir ou não agir, pois é inegável que ele precisa observar os bons costumes, aspectos religiosos, passando ainda por fatores morais e éticos, pois só assim, terá condições de manifestar seu livre-arbítrio.

    Essa maturidade é como se a vontade transparecesse buscar o bem. Mas, quantos bens existem no mundo? São inúmeros, alguns imperfeitos, outros tão distintos, mas mesmo assim, com equílibrio espiritual e sob a égide do livre-arbítrio é possível decidir o caminho a ser trilhado.

    Pode até parecer que essa observância transpareça um sistema de pressão em relação ao livre-arbítrio, porém, na nossa visão pode até ser, mas é preciso para que ocorra equilíbrio no instante da escolha a ser adotada.

    Esse equilíbrio decorre justamente do aperfeiçoamento espiritual, que viabiliza a maturidade de avaliação do contexto vivido, a fim de encaminhar o homem para uma decisão que fique entre os impulsos dos desejos e a própria razão.

    O homem necessita ser livre, mas, precisa observar todos esses aspectos acima enumerados, pois terá assim o principal instrumento para utilizar no aplanar da denominada Pedra Bruta.

    Deve buscar sempre decidir sob a influência do equilíbrio e conversando com Deus, pois assim, conseguirá o aperfeiçoamento tão desejado no campo espiritual.


  • "A Festa do Rosário"

    Publicado em Oct 10, 2014

    Eu tinha cinco anos de idade quando na companhia de meus pais e do meu irmão Cacá , num fuscão bege, saímos de Catolé do Rocha para Pombal.

    Era uma sexta-feira de outubro, já ao cair da tarde, quando chegamos ao lugar denominado “Triângulo”. Numa subida da BR 230 consegui enxergar Pombal, suas luzes a iluminar a Igreja Matriz e os parques de diversões, era a Festa do Rosário.

    Uma alegria enorme invadiu a minha alma. Contei os minutos para entrar em minha terra. Queria participar da festa, andar nos cavalinhos, na roda-gigante e tomar meu sorvete de abacate. Queria tirar uma foto sentado num carneirinho e recebê-la logo em seguida, em forma de monóculo.

    Das mãos do meu avô Antônio Rocha queria receber a pipoca e bolas de sopro. Lembro-me ainda que, sentado no colo da minha avó Raimunda observava-a jogar no bingo e, bafejada pela sorte, ganhar prêmios. E Nonato do doce?

    Figura que vinha no trem Asa Branca, com enormes latas de doce de caju, trazendo-as da Praia de Tibau, próxima de Mossoró-RN. Ele se instalava na casa do meu avô, onde passava toda a festa vendendo o seu doce e usufruindo das festividade.

    A Festa do Rosário tem o lado religioso e também profano. No religioso, até hoje o forte da festa é a procissão que sai da casa de Nossa Senhora do Rosário até chegar à frente da Igreja.

    Acompanhada do pároco, da Irmandade, com os irmãos que vestem as opas azul e branco. Ainda encontramos ao centro o Reisado, logo à frente os Negros dos Pontões abrindo caminho para a multidão e “Os Congos”, além da banda de música. Na frente da Igreja é celebrada a missa campal.

    A multidão participava e ainda participa daquele ato, alguns com coroas de espinhos na cabeça, outros com pedras e outros com os pés descalços ou a caminharem de joelho no chão. O importante é a fé, é agradecer a benção alcançada, é ouvir os badalos dos sinos, a pregação do padre e do professor Arlindo Ugulino. Todos se curvam e rezam.

    É o momento de reencontrar os parques de diversões, os amigos primeiros, a boa prosa, um calor intenso, além da saudade do doce de Nonato e de meus avós. Na Rua Nova, a grande roda gigante, Monga a impor medo as crianças e os cavalinhos. Infância e maturidade num só instante.

    Então, direi: - Gira a roda gigante, giram os cavalinhos, gira o tempo e eu aqui. A vida é para ser vivida intensamente. A Festa do Rosário tem o poder de impulsionar os reencontros e fustigar as lembranças, como também a saudade, mas, acima de tudo, entrega-nos a certeza de que somos felizes porque ainda estamos aqui revivendo e vivendo novos momentos.