Usuários online: 11

Radio Liberdade

Liberdade Notícias




Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVO ARTIGO: “O homem e o trágico”

    Publicado em Jun 13, 2013

    A tragédia fascina o homem. Basta o sol nascer, acordamos, ligamos o rádio e em qualquer estação que sintonizarmos, não tenha dúvida, que passaremos a ouvir o relato da violência, são assaltos, incêndios, desabamentos de pontes e barreiras, filho que mata pai, pai que mata filho e por aí vai.

    Se em vez do rádio ligarmos a TV, a programação não é diferente, pois prioritariamente se noticia o trágico, com o agravante de que somos compelidos a visualizar cenas brutais e de sofrimento. Até nas telenovelas temos que suportar as tramas do vilão que só recebe o castigo no último capítulo.

    Tenho ouvido alguns amigos dizer que: o culto ao trágico incomoda. O mundo vive uma efervescente onda de intranqüilidade e a grade de notícias da mídia, de uma forma geral, destaca a tragédia como fonte maior da notícia.

    Dia e noite ouvimos e assistimos noticiários contando sobre a violência, a corrupção e a impunidade. O fato é que essa carga excessiva de notícias trágicas parece-nos que vem desenhando um quadro de desencanto e desesperança no íntimo de cada cidadão.

    Mas o que fazer? Longe de se defender uma restrição à notícia ou a criação de um meio de censura, deve-se buscar uma moderação na divulgação de tanta tragédia, pois no planeta Terra também existem coisas boas no âmbito cultural, da educação, da ciência, do esporte, que podem ser levadas ao público de forma mais acentuada.

    Na grade de notícias veiculadas nos meios de comunicação, o trágico tem um espaço muito maior do que os das noticias relacionadas com as boas coisas da vida, como, por exemplo: a de um reencontro de parentes que por muitos anos estavam distantes; a de uma pessoa que doa um órgão a um amigo, salvando-lhe a vida; ao do incentivo ao esporte, mostrando o exemplo de jovens que, mesmo sem condições financeiras, conseguiram vencer por meio do vôlei, do futebol, do basquete etc.

    Não queremos banir a tragédia dos noticiários. É importante que haja um equilíbrio na veiculação dessas notícias, pois a carga excessiva de notícias ruins proporciona uma melancolia e deixa no ar uma sensação de que no mundo não há mais coisas boas, quando isto não é verdade.

    Também não adianta alguns dizerem que o povão tem preferência pelo trágico e que esse tipo de matéria dá ibope, com grande audiência conseguindo-se, desta forma, mais empresas para veicularem comerciais, havendo assim um retorno financeiro mais expressivo. Essa uma é visão equivocada, sem compromisso com o povo. Se foi realizada alguma pesquisa sobre a respeito, confesso que desconheço quem haja sido entrevistado.

    Sonhamos com uma programação voltada para a cultura, o esporte, a ciência e a educação.


  • “Muito além do crepúsculo”

    Publicado em Mar 6, 2013

    Dias atrás revirando o meu baú fotográfico, encontrei uma foto que me chamou atenção. Nela um amigo elegantemente vestido.

    Encostado numa janela sertaneja seu olhar mirava um crepúsculo belo e enigmático. Época de sonhos realizados e outros a serem alcançados.

    O crepúsculo é um marco divino que separa o dia da noite, a luz da escuridão. Sabemos que o crepúsculo anuncia a chegada do noturno e deixa em nosso âmago a esperança do amanhecer de um novo dia, do retorno da claridade e do calor da vida.

    Aquele crepúsculo revelado naquele cenário fotográfico projetava sonhos e sonhos do amigo, porém, muito além do dourado céu uma realidade de situações que jamais foram sonhadas naquele instante capturado pela lente de uma kodak.

    A fotografia tem o poder de registrar momentos de nossas vidas, como também tem o condão de permitir que anos depois possamos contemplá-la e percebermos como o tempo andou, e que os sonhos idealizados naquele instante de imagem foram alcançados, ou mesmo, foram perdidos no caminhar das horas, dos meses e dos anos. Que o hoje é tão diferente do almejado em tempos idos.

    Que segredos de outrora o presente transformou em temas insignificantes. Que amigos de convívio diário hoje pouco convivem, seja pela distância física ou em decorrência das circunstâncias impostas por uma nova realidade existencial.

    A foto e o crepúsculo, dois tempos, o ontem e o hoje, realidades perceptíveis, uma já vivida, registrada, posta para ser lembrada e analisada, a outra que corresponde ao presente, que no contraponto daquela que consta da foto pode nos mergulhar em reflexões que certamente nos levarão a adequações no prosseguir do nosso viver.

    Assim é a vida, sonhamos e muitas vezes o tempo nos mostra que as coisas não são como pensamos, como idealizamos.

    A fotografia nos revela muito dessa fantástica espiral do existir. Tem coisas que nem a obstinação consegue fazer do sonho, realidade.

    Aliás, a realidade e os sonhos do amigo, naquele preciso instante fotográfico não correspondem ao que hoje ele vive.

    O crepúsculo dividiu não só em imagens, mas acima de tudo em realidades inimaginavelmente inconcebíveis, se olhadas de um tempo para o outro, a existência daquele fraterno irmão.

    Vida, veloz, de tempos e tempos, a serem vividos, mas que sejam com alegria, paz e fé num mundo melhor.


  • “Flor cearense”

    Publicado em May 20, 2013

    Tu és uma flor cearense que brotou em meio às águas de Iracema. Bebestes o saber de José de Alencar e a redação fácil de Carmelita Setúbal. Trouxestes a religiosidade de Antônio e Raimunda Rocha.

    Foi na confluência dos Rios Piancó, Piranhas e Peixe que eles te cultivaram para o mundo, época em que te chamavam de “Galega”, aquela menina bela, inteligente, sapeca e de alto astral.

    No sertão dos holandeses transformastes a seca em águas límpidas escorrendo pelas biqueiras de tempos inocentes, águas que desciam e lavavam sua Rua João Pessoa, berço de sua infância, adolescência, tristezas, glórias e eternas lembranças.

    Aquele cenário sempre foi e será templo sagrado dessa menina. Pombal foi regando-a e aos poucos o tempo foi transformando-a numa flor paraibana. No início da década de 1960 conheceu seu amor e companheiro com quem se casou em 1965.

    Após residir em Catolé do Rocha e Campina Grande, o tempo transportou a menina cearense para a capital paraibana. A flor, agora, era das acácias, dos corredores da antiga Faculdade de Direito da Praça João Pessoa, onde formou-se em 1976, e, logo depois de aluna tornou-se professora de Direito Penal.

    Nesse tempo a menina já era uma loira dos outonos da maturidade, que em contos, começou a contar os seus próprios contos. Seguindo os passos de sua tia Carmelita, de acadêmica passou também a ser escritora, entregando ao mundo seus livros, seus pensamentos e suas idéias.

    A Galega dos jardins de minha vida é uma pérola dos mares do futuro cearense, do Cine Luz de Pombal, da praia de Tambaú, do farol da Ponta do Seixas, que nas noites sem Lua, espelhando bússola, norteia seus navegantes.

    Essa flor das fortalezas, de Rochedos, ancoradores de ondas enfurecidas, de praias belas e que a tudo abraça, é na verdade a timoneira dos herdeiros da Nova Acauan. Rocha das soluções, sim tu sempre foi e será a acácia Iracema na terra dos coqueirais e da porta do sol oriental.

    Essa flor é minha mãe, Onélia. Um brilhante que reluz paz, que nos guia pelas veredas tortuosas de tempos e tempos. Na sua nave não há tempestade que não possa ser vencida.

    No seu coração, só alegria. Verdadeira, mulher que fala olhando no olho. Não foge de seus princípios para agradar ninguém. Já me indagaram se tu tens defeitos, e logo respondi: não sei, apenas agradeço a Deus por ter me permitido ser seu filho.