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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "Condutas inaceitáveis"

    Publicado em Sep 21, 2014

    O homem é um ser intrigante. Se intitula um conquistador de sonhos e extremamente evoluído. No entanto, não consegue se desvencilhar de alguns comportamentos inadequados, ultrapassados e inaceitáveis. Estamos em pleno século XXI, mas em determinados momentos o homem age imbuído pelo preconceito e a descriminação racial.

    A história da humanidade nos mostra, que no curso de um tempo não muito distante, as atrocidades sofridas pelos negros em decorrência da escravidão e do preconceito racial. O mundo por um longo período, através dos de homens insanos, separou os negros dos brancos.

    Foi um tempo de humilhações, de trabalhos escravos, de desrespeito a dignidade humana e de total irracionalidade. Excluídos, viviam sob as ordens de troncos e chicotes. Veio, então, a tão sonhada alforria. Libertados deixaram de ser objetos de propriedade de seus senhores. Mas, no início dessa nova fase tiveram eles que percorrer caminhos tortuosos, de desprezo, de indiferença e ainda de enorme sofrimento.

    Se livraram da escravidão legalizada, mas passaram a vivenciar outros tipos de escravismo, como por exemplo: O do abandono, o da perseguição, o acentuamento do preconceito e da discriminação racial. Mesmo já tendo passado muitos anos dessa libertação, incrivelmente, ainda encontramos pessoas que trazem consigo o olhar, a fala e as atitudes voltadas para esse modo de comportamento reprovável.

    Preconceito e discriminação são coisas distintas. O Preconceito é um sentimento, que tem origem no condicionamento cultural ou de uma deformação mental, quase sempre corrigido, enquanto que a discriminação racial é o preconceito determinando atitudes, políticas, oportunidades, direitos, o convívio social e o econômico. A incidência desse agir foi e ainda é tão grande, que foi editada uma lei proibindo essa conduta sob pena de prática de crime inafiançável.

    Infelizmente, hoje, ainda presenciamos esse tipo de insanidade. São torcedores que, equivocadamente, agredem jogadores; escolas que insistem em discriminar alunos, diante da sua qualidade econômica, social, política e até por opção sexual, enfim, é preciso que compreendamos que somos iguais. É possível uma convivência saudável, desde que ocorra respeito mútuo.

    O homem age muitas vezes sob a égide da barbárie e da incredulidade. Sentimentos, hábitos de pensamentos e convicção herdada por culturas que remanescem de geração para geração, não se muda por decreto ou lei, é preciso um trabalho contínuo e persistente na massificação de ensinar o amor, a solidariedade, o perdão e a fé em Deus, pois só assim, o homem compreenderá que somos todos iguais.


  • Privacidade

    Publicado em May 9, 2014

    O homem evoluiu. De selvagem passou a viver em civilização. Ayn Rand, certa feita, expressou seu conceito sobre a tal civilização dizendo: “A civilização é o avanço de uma sociedade em direção à privacidade. O selvagem tem uma vida pública regida pelas leis de sua tribo. Civilização é o processo de libertar o homem dos outros homens”.

    Será que isso corresponde a verdade dos dias atuais? Ora, se a civilização encaminha o homem para o alcance da privacidade, então, acredito que há algo de errado nesse contexto, tendo em vista que se tomarmos por base a vida vivida no nosso tempo logo perceberemos que a tal civilização cada dia aniquila a privacidade.

    Desde que mundo é mundo que existe a tal bisbilhotagem. A curiosidade é algo que o homem carrega em sua alma desde sua origem. Ela, por muito tempo impulsiona a denominada invasão de privacidade. Essa invasão nunca é bem vista e aceita. Torna-se ainda mais grave quando assume contornos que permitem ações revestidas de maldade e ilicitude.

    Vivemos abertos e entregues aos holofotes. Se moramos em casa ou apartamento, diante da insegurança, para nos proteger colocamos câmeras em nosso habitat. Transformamos o nosso lar num verdadeiro big brother, e mesmo assim ás vezes ainda somos vilipendiados. Quando usamos a internet, corremos o risco de invasão indevida dos hackers.

    No manejo das redes sociais nos colocamos nas vitrines do mundo virtual, ensejando a possibilidade de ações ilicitas contra nossa pessoa e nossa família. O telefone? Nada que se conversa tem mais privacidade. A espionagem que o diga. Os americanos monitoram a vida de pessoas comuns e de governantes de outros países. Da mesma forma, outros governos também grampeam americanos, brasileiros, africanos e por aí vai.

    O negócio não é fácil. Ouvimos muito falar em degradação do planeta terra. Cada vez mais o homem maltratar a Santa Natura. Diante disso, cresce vertiginosamente a lista de extinção de aves, preixes, animais e árvores. Porém, pode-se dizer que diante do avanço tecnológico construído pela humanidade, também é de se pontuar que existem algumas palavras que encontram-se também em extinção. Uma delas é a “privacidade”.

    No rastro dessa invasão de privacidade, até quando o pensamento resistirá? O homem quer controlar até o pensamento de seu semelhante. Mas prefiro carregar comigo que o pensamento é a última fronteira da liberdade humana, e comungando com Day anne exclamo: “Obrigado Senhor pela privacidade dos meus pensamentos. Aqui dentro ninguém lê e ninguém vê... Só eu e Você Deus!”

    Onaldo Queiroga

    onaldoqueiroga@oi.com.br


  • O eu

    Publicado em Aug 23, 2014

    O eu é um universo sem fronteiras, de infinitos segredos, mistérios, muros, angustias, aflições, egoísmos, invejas, sonhos, amizade e amor.

    Através do eu se viaja em pensamentos insondáveis, que as vezes se revelam em atos e em outras ocasiões em omissões. Quando o medo habita o eu, o fracasso torna-se iminente, afastando a coragem.

    Quando os muros habitam o eu, o perdão é relegado, o coração fica frágil, sem espaço para a solidariedade. Quando a tentação se faz presente, o eu se enche de pecados, que se multiplicam, com traições e corrupções que se tornam visíveis.

    Quando a inveja se faz presente, os fardos se elevam de peso. Quantos pântanos e desertos, encontros e desencontros, esquinas da escuridão e da fé, habitam o eu?. Nele residem também os mistérios dos sonhos, das visões e das sombras. Já maldade impõe o sofrimento. No eu ainda encontramos o pavilhão do egoísmo, além de muitos submundos e recantos da marginalidade.

    O eu às vezes, infelizmente, exterioriza-se com o olhar gordo de latrocidas, corruptos e déspotas. Quando assume esse instinto, sem dó e pena, trucida, violenta e rouba outras existências. Revela-se monstro, que enjaulado ou deitado numa tumba, castiga o corpo e penitencia o espírito.

    O universo do eu possui a também uma avenida intitulada de receio, onde caminha-se com um passo para a frente e dois para trás. É a desconfiança que multiplica a insegurança e afasta a tranqüilidade. É o temor que aprisiona o bem e deixa livre os fora da lei.

    Mas na terra do eu também existe um rio chamado perseverança, que rompe desfiladeiros e nos braços da correnteza vence léguas e mais léguas, para no final abraçar o mar do amor.

    No eu os segredos são tesouros guardados a sete chaves, alguns provocam a barragem das lágrimas, umas tristes e outras filhas da alegria. No reino do eu, o amor é o rei. Com suas regras administra o existir, ora em consonância com a razão, ora atropelando a normalidade.

    O amor é quem comanda. Quando ausente, o eu fica sem norte. Quando presente, correspondido ou não, ele se ocupa, luta e sonha. Mas todo reinado tem sua rainha. No do eu, ela se chama solidariedade, dama que equilibra o âmago e promove a beleza divina no existir, aproximando o eu de Deus, no efetivo espontâneo exercício das palavras e das ações em favor dos nossos semelhantes.

    O eu é poético, em soneto externa sua visão diferenciada sobre o existir. O material pouco importa, pois poeta é um viajante da nave ilusão, de vôos pelos sonhos inimagináveis. Filho da lua e do violão. O eu tem enigmas, tantos quantos guardam as profundezas oceânicas. O que seria do homem sem o eu?

    Onaldo Queiroga

    onaldoqueiroga@oi.com.br