A tragédia fascina o homem. Basta o sol nascer, acordamos, ligamos o rádio e em qualquer estação que sintonizarmos, não tenha dúvida, que passaremos a ouvir o relato da violência, são assaltos, incêndios, desabamentos de pontes e barreiras, filho que mata pai, pai que mata filho e por aí vai.
Se em vez do rádio ligarmos a TV, a programação não é diferente, pois prioritariamente se noticia o trágico, com o agravante de que somos compelidos a visualizar cenas brutais e de sofrimento. Até nas telenovelas temos que suportar as tramas do vilão que só recebe o castigo no último capítulo.
Tenho ouvido alguns amigos dizer que: o culto ao trágico incomoda. O mundo vive uma efervescente onda de intranqüilidade e a grade de notícias da mídia, de uma forma geral, destaca a tragédia como fonte maior da notícia.
Dia e noite ouvimos e assistimos noticiários contando sobre a violência, a corrupção e a impunidade. O fato é que essa carga excessiva de notícias trágicas parece-nos que vem desenhando um quadro de desencanto e desesperança no íntimo de cada cidadão.
Mas o que fazer? Longe de se defender uma restrição à notícia ou a criação de um meio de censura, deve-se buscar uma moderação na divulgação de tanta tragédia, pois no planeta Terra também existem coisas boas no âmbito cultural, da educação, da ciência, do esporte, que podem ser levadas ao público de forma mais acentuada.
Na grade de notícias veiculadas nos meios de comunicação, o trágico tem um espaço muito maior do que os das noticias relacionadas com as boas coisas da vida, como, por exemplo: a de um reencontro de parentes que por muitos anos estavam distantes; a de uma pessoa que doa um órgão a um amigo, salvando-lhe a vida; ao do incentivo ao esporte, mostrando o exemplo de jovens que, mesmo sem condições financeiras, conseguiram vencer por meio do vôlei, do futebol, do basquete etc.
Não queremos banir a tragédia dos noticiários. É importante que haja um equilíbrio na veiculação dessas notícias, pois a carga excessiva de notícias ruins proporciona uma melancolia e deixa no ar uma sensação de que no mundo não há mais coisas boas, quando isto não é verdade.
Também não adianta alguns dizerem que o povão tem preferência pelo trágico e que esse tipo de matéria dá ibope, com grande audiência conseguindo-se, desta forma, mais empresas para veicularem comerciais, havendo assim um retorno financeiro mais expressivo. Essa uma é visão equivocada, sem compromisso com o povo. Se foi realizada alguma pesquisa sobre a respeito, confesso que desconheço quem haja sido entrevistado.
Sonhamos com uma programação voltada para a cultura, o esporte, a ciência e a educação.


