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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVA CRÔNICA: "Insaciáveis"

    Publicado em Dec 4, 2014

    Há no seio da humanidade um toque incompreensível de insaciabilidade e insatisfação. O homem sempre procura a felicidade, às vezes convive com ela, mas, só percebe sua existência quando deixa escapá-la.

    Oscar Wilde era categórico em dizer: “A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação”. Já Ismael Domingos expressa que: “O início de uma revolução é dada por insatisfação, porque somente os insatisfeitos causam revoluções”.

    Esses penamentos demonstram que realmente o homem em determinados momentos de sua existência, diante da conjuntura econômica social que beneficiava os governantes e empobrecia ainda mais o povo, então, impulsinado pela insatisfação promovera revoluções que mudaram o curso da própria história humana. Contudo, há uma outra face da insatisfação.

    Trata-se daquela que, de certa forma se entrelaça com insaciabilidade. Hoje presenciamos o homem como um ser que jamais mostra-se satisfeito com o quem tem, mesmo quando o que possui já suficiente para viver feliz.

    Um texto judáico nos ensina que: A ganância insaciável é um dos tristes fenômenos que apressam a autodestruição do homem. Verdade. O homem do século XXI apresenta-se insaciável. Descarta aquilo que tem, sempre em busca de algo maior.

    Não compreende que o excesso é difícil de segurar em nossas mãos. Para justificar seu proceder, traz consigo a inaceitável desculpa de se julgar “injustiçado”. Costumamos pensar que merecem sempre alcançar os sonhos almejados. Que devem sempre ser os escolhidos para obterem as vitórias.

    É a cultura de que tudo cai do céu e de que tudo é fácil. Aliás, para essa gente a alegria dos outros incomoda; que o sucesso do amigo faz surgir no coração a inveja. O egoísmo impulsiona o olhar da vaidade, por isso, se busca enxergar sempre os defeitos dos semelhantes, esquecendo-se de olhar para si mesmo.

    Deste mundo nada se leva. Mesmo assim, o homem não entende que a fecilidade não reside no castelo da abundância material. Esse estado de espírito tem sua essência não no palpável, mas sim no coração de cada um de nós.

    O sonho muitas vezes é inalcançável. Sabemos disso, contudo, preferimos insistir no erro, na busca de algo que jamais alcançaremos. O sonho também tem seus limites. É preciso equilíbrio, respeitar os limites, pois se assim não for, o homem termina por mergulhar no rio da infelicidade.

    Somos passageiros de uma civilização que se intitula moderna, mas não consegue praticar a solidariedade. Parece que o mais precioso diamante do planeta seria insuficiente para saciar a insatisfação do homem. Que Deus olhe pela humanidade.


  • “Boa noite Malásia”

    Publicado em Jul 4, 2014

    Oito de março, dia dedicado a mulher. O vôo MH 370 saiu do aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia com destino a Pequim, na China, com 239 pessoas a bordo. Menos de uma hora de vôo, por volta de uma hora e dezenove minutos, horário da Malásia, o comandante da aeronave dirigiu-se à torre de controle, dizendo: "Boa noite, Malaysia três sete zero".

    Uma frase normal do cotidiano de um piloto. Mas, a partir dali começaria um mistério que até o momento intriga o mundo. Fora o derradeiro contado do 370. Inexplicavelmente, o avião desapareceu.

    Como compreender esse sumiço? Vivemos no século XXI, tempo da alta tecnologia, com satélites e radares que são capazes de buscar a localização exata de veículos, navios e aviões em qualquer lugar desse planeta.

    Como pode um avião sumir das telas dos radares e ninguém saber para onde ele foi? Passado todo esse tempo, com investigações da vida dos pilotos, passageiros, hipóteses de sequestro, terrorismo, ato suicida, buscas envolvendo uma área de 221 mil quilômetros quadrados com ajuda de vários países do mundo, com a utilização de aviões, navios, submarinos e satélites e até agora nada de concreto para responder sobre o 370.

    Não há como entender por que o transpônder fora desligado. Aliás, não seria lógico que houvesse uma trava para não permitir o desligamento desse equipamento, principalmente tratando-se de uma aeronave comercial. Se foi desligado de dentro da cabine, então, se indaga: por qual motivo? Sendo um avião comercial não haveria justificativa para ele ficar oculto aos radares e sistemas de localização por satélite.

    Mesmo assim as autoridades informam que fora desligado. Após dias e dias de buscas, nenhum sinal. Se ele mudou radicalmente de rota e, seguiu em direção ao oceano índico, em vôo de baixa altitude, haveriam de tê-lo visto passando em algum lugar.

    Mais um dia amanhece, com ele outros dias e a dúvida no ar. Teorias, buscas e aflições dos familiares das vítimas do 370. Objetos são vistos ao mar, mas não pertencem ao vôo da Malásia. O que aconteceu? Terá sido um sequestro? Não, pelo tempo passado já teria havido comunicação. Terá sido uma ação de extraterrestres?

    Uma hipótese polêmica e difícil de se abordar. Mas como acreditamos em fenômenos dessa natureza, não descartamos essa vertente. Não podemos esquecer que no dia 5/12/1945 seis aviões da Marinha Americana desapareceram na região do triângulo das Bermudas sem deixar vestígios e nunca mais foram encontrados. Somos vulneráveis.

    Conhecemos pouco sobre as profundezas dos oceanos e sobre o infinito universo. Vidas se foram. Restam choro, saudade e lembranças eternas daqueles que partiram. Esperamos que com o auxílio de Deus, encontremos explicações para esse evento tão trágico.


  • "A utilidade e o amor"

    Publicado em Jul 3, 2014

    Recentemente recebi um vídeo que me chamou muito atenção, principalmente pela verdade da situação ali posta pelo Padre Fábio de Melo, que com muita propriedade fala sobre a utilidade das relações humanas e o amor.

    De forma proficiente, a citada reflexão procura demonstrar que na grande maioria das vezes, nas relações entre as pessoas, há o toque inquestionável da utilidade, ou seja, o homem apresenta-se prestativo, afável, solícito e amigo, pois sabe que algo de útil pode arrancar da outra pessoa.

    É aquela história, em muitas ocasiões emerge o pensamento de que a pessoa que se encontra ali próximo, gosta de você, mas na verdade nem sempre isso é verdade, pois possa ser que aquela pessoa que lhe circunda esteja apenas interessada no que você pode fazer por ela.

    Evidentemente que não são todos os circundam que agem sob a utilidade, mas não podemos desconhecer o fato de que existem realmente os seres que vivenciam essa utilidade.

    Com sapiência, enfoca, ainda, que o período da velhice é o tempo onde com clareza o ser humano consegue enxergar e sentir com precisão o impacto da utilidade. Depois de anos e anos de luta pela vida, sendo útil para filhos, parentes e amigos, o homem chega a maturidade, a velhice, momento em que aposentado, sem ter mais tanta importância no ato de servir, pelo contrário, agora surge o instante em que é chegada a hora de ser servido, vem, então, a cruel realidade, o da dura dependência, por exemplo, de ser levado para um banho de sol, de não ser ali esquecido; tempo em que se espera que alguma pessoa se disponha a perder alguns de seus minutos para conversar com você.

    Como diz Padre Fábio: “...A velhice é esse tempo, passa a utilidade e fica só o seu significado como pessoa. Eu acho que é o momento que a gente purifica, de sabermos quem de verdade nos ama de verdade, porque, só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que depois da nossa utilidade descobriu o nosso significado...”.

    Diante disso, devemos procurar sempre identificar, conviver e envelhecer ao lado de pessoas que nos vejam não só como úteis, pois quando somos inúteis e assim mesmo alcançamos a atenção de alguém, é justamente esse alguém que nos ama de verdade, e na velhice estenderá a mão para o auxilio, emprestando o seu tempo para uma bate papo, um passeio etc. Se você quiser saber se uma pessoa te ama, então, de vez em quando veja se ela é capaz de acolher ou não sua inutilidade.

    Faça o teste. Sem dúvida, você encontrará poucos que apesar da sua inutilidade para com eles, realmente são aptos te aceitarem assim mesmo. Esses são os que tem amam.

    É da análise da utilidade e da inutilidade que permeiam as relações que se consegue extrair o amor. Esse sim, suscetível de demonstrar que o homem tem como olhar para seu semelhante e dizer: Você é inútil, não serve mais pra nada, mas não sei viver sem você.