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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVA CRÔNICA: "Terra, céu, deuses e Deus"

    Publicado em Feb 27, 2015

    Há muito tempo a humanidade habita a Terra. O homem é considerado um ser racional e dotado de inteligência. Espalhado por todos os recantos do planeta, conta a história que ele tornou-se civilizado, organizando-se em sociedade.

    Tem a Terra como sua, sente-se soberano em relação aos demais seres e acredita ter o direito de aniquilar rios, mares, florestas e animais, entendendo, equivocadamente, que tudo pode e nada lhe atingirá.

    Pobre homem! Das profundezas dos oceanos quase nada sabe. Olhando para o céu, mistérios e o infinito universo. É olhando para cima que o homem guarda em se seus medos, pois pouco conhece sobre a imensidão do azul firmamento.

    É também do céu que vem sua esperança e sua fé. Em alguns momentos o céu mostra-se azul, em outros, escuro diante das nuvens densas ou mesmo por causa da noite, ante a ausência do sol. O céu fascina diante do seu tom enigmático.

    Sob o comando de alguns homens, que sentem-se deuses, o destino da humanidade caminha para um futuro de incógnitas. Inteligência o ser humano possui, contudo, carrega em seu íntimo a vaidade, o orgulho, a inveja e às vezes a tirania.

    E tudo isso, infelizmente, termina por se sobrepor em relação a inteligência. É nesses meandros que muitas vezes o homem que da terra tira seu sustento, que nela pisa, caminha, constrói e também destrói, termina por achar que é “deus”. E quando isso acontece, a sociedade fica a um passo do abismo. Quem dirige, quem comanda tem que ter equilíbrio, carregar consigo a sábia humildade e ser voltado para os ensinamentos do Grande Arquiteto do Universo.

    Não é a toa que há um dito popular que diz: Se você quer conhecer uma pessoa, entregue-lhe o poder. Realmente, a cadeira do poder não é para todos. Aliás, quase todos quando sentam nela, aí sim, mostram a verdadeira face. Aqui poderíamos citar inúmeros casos, mas se você olhar ao seu redor, logo encontrará alguém que era simples, cordial, gentil, com pele de amigo, mas ao assumir um cargo qualquer, passou imediatamente a agir com prepotência, ostentação, frivolidade, soberbia, imodéstia e deselegância, como se fosse o dono do mundo.

    Espere aí! Deus não é assim, pelo contrário, há tempo que nos ensina sobre a prática da bondade, da solidariedade, do perdão e do amor. Na verdade quem assim se conduz é um ignóbil passageiro desse mundo terra.

    A vida é rápida. Todos tem suas dificuldades, porém, uns sabem vivenciá-las e transpô-las fazendo uso das regras divinas, outros, inversamente, buscam a facilidade malévola do equívoco.

    Terra e céu. Homens “deuses”, contudo, Deus só existe um. Que Ele tenha compaixão de nós, que na sua misericórdia perdoe a insanidade do homem e permita um futuro de amor e paz!


  • "Carnaval"

    Publicado em Dec 2, 2015

    É fevereiro. É carnaval. Festa popular que logo lembra o Brasil. Há um conceito errôneo de que o carnaval tem origem no solo brasileiro.

    É certo que mundialmente somos conhecidos como o país onde esse festejo aflora todos os anos com muita força popular, trazendo importantes resultados nas áreas cultural, turística e econômica. No entanto, não podemos nos vangloriar da paternidade do carnaval.

    Para não falar da Antiguidade Clássica, com as Lupercais e as Saturnábias e festas greco-romanas, mais ou menos báquicas, essa festa popular remonta à era cristã medieval, quando existiam as denominadas festas profanas, com início no dia de Reis (Epifania), estendendo-se até a quarta-feira de cinzas, ocasião que começavam os jejuns quaresmais.

    Surgiu como uma manifestação dos pagãos, que tinham como objetivo homenagear o deus Luperco, para assegurar a fertilidade, bem como para honrar o deus Saturno. Era festa de alegria insolente e inconveniente, face à expressiva liberdade de atitudes, principalmente na seara erótica.

    O tempo passou e o Brasil tornou-se território mundial do carnaval, abrigando diversas faces da comemoração carnavalesca. Historicamente, agrupamos várias danças.

    O samba, dança cantada de origem africana, de compasso binário e acompanhamento obrigatoriamente sincopado que predomina no Rio de Janeiro e em São Paulo. Dentre muitos tipos de samba, destaca-se o de breque, o de enredo e o samba de partido-alto.

    Na Bahia temos a predominância do axé, que constitui também dança cantada de origem africana e expressa votos de felicidade, além de representar a energia sagrada dos orixás.

    Mas é em Pernambuco que no carnaval vivemos a alegria mais contagiante, é aquela movida pelo som do frevo, ritmo mais frenético do mundo carnavalesco, pois quando o folião escuta o som dos metais, basicamente é levado a execução de passos demasiadamente rápidos e, parafraseando Capiba: Quero sentir a embriaguez do frevo / que entra na cabeça / depois toma o corpo e acaba no pé...” O frevo é dança que pode ser classificada como de abafo ou de encontro, em que predomina o som de instrumentos metálicos. Temos o frevo canção, o de coqueiro, com suas notas agudas; o frevo de bloco, de rua e de ventania.

    Carnaval é alegria, é festa que leva multidões para as ruas e praças públicas. Carnaval é momento de relaxamento, de despreocupação e de alegria. Mas a folia deve ser exercida com responsabilidade, com o uso moderado de bebidas alcoólicas, em paz e sem drogas. Brinquemos, pois, em paz! Viva o carnaval!


  • "Palavras"

    Publicado em Jun 2, 2015

    Muitos duvidam, mas as palavras têm força. Positivas ou negativas, elas podem exercer influências significativas. São expressões de liberdade, como também de opressão. Transmitem mensagens de alegria, como também podem despejar tristeza. Ecoam esperança e fé, mas, às vezes, espalham pessimismo e angústias.

    Os negativistas com suas desesperanças, descarregam no mundo as amarguras do seu triste âmago através de palavras incrédulas e esmorecedoras, repletas de ódio e de inveja. Espalham o desencanto, os desencontros, a depressão e a infelicidade.

    Já os positivistas mesmo diante de tanta turbulência e maledicências, ainda, distribuem a fé e o otimismo. É por meio das palavras que em momentos difíceis ouvimos de amigos o incentivo para bater a poeira, levantar a cabeça e seguir em frente. É através delas que ouvimos tantas coisas boas, carinhosas e amorosas.

    Há quem diga que muitas vezes as palavras podem ser mais ofensivas do que a própria realidade. O conteúdo delas tem sua importância, contudo, elas ganham uma força maior a partir da forma como são pronunciadas, pois, às vezes, pensamos em nos expressar de uma maneira, mas, a forma como pronunciamos as palavras, termina por modificar a conotação daquilo que queríamos dizer.

    É o velho ditado: até para dizer um “não” é preciso saber a forma como expressar essa negativa. Muitos, diante da prepotência, atraem uma legião de inimigos; outros, com tato, mesmo negando uma pretensão, ainda conseguem a simpatia de quem teve o pleito negado.

    Outro aspecto é o denominado momento de falar. Devemos saber o momento exato para falar certas coisas, sob pena de seremos inconvenientes e constrangedores.

    Devemos, ainda, ser sábios e usarmos as palavras para desarmar os amargurados. Quando alguém falar para você algo que lhe denigra ou lhe constranja, responda pacientemente, diga algo solidário, fale uma palavra amiga, pois, certamente, frustrará o intento desse ser carente de amor.

    Vivemos num tempo difícil. Não sou contra a divulgação de acontecimentos trágicos, mas as palavras, como as imagens, têm muita força, e, quando excedemos a propagação do horror estamos contribuindo para atrair para o nosso universo um número cada vez maior de tragédias.

    A vida é curta. Devemos usar as palavras para propagar reflexões positivas. Assim seremos felizes.