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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVA CRÔNICA: "Livre-arbítrio"

    Publicado em Oct 21, 2014

    Livre-arbítrio é a vontade livre de escolha, a capacidade que o homem tem de se determinar por si mesmo, de agir ou não agir, sem ser constrangido a isso por força alguma.

    Paras os cristãos, o livre-arbítrio passa pela condição que Deus dá ao homem para agir e ser livre, com autonomia de realizar e definir suas próprias escolhas, incluindo-se aí aquelas que não estão de acordo com a vontade divina.

    É aquela história, Deus tem o poder de impedir que o homem faça o bem e o mal, porém, permite que o homem decida o caminho a ser seguido, ele é o responsável pelos seus próprios atos.

    Já o espiritísmo, explica que toda causa provoca um efeito e que todo efeito advém de uma causa. Com isso, Deus aparece como a causa primária de todas as coisas.

    Enfoca, ainda, que o livre-arbítrio ganha proporções maiores à medida que o grau de evolução moral e intelectual do espírito se desenvolve. Nesse contexto, o livre-arbítrio é a liberdade de escolha que temos dentro das limitações que nos impomos por falta de evolução moral e intelectual, enfim, falta de conhecimento.

    É privilégio fundamental da essência humana. É algo difícil de ser exercitado. Muitas vezes o livre-arbítrio encontra pela frente a dúvida de agir pela razão ou pelo coração.

    Àqueles com espírito evoluído, terão a prudência de sopesar o seu agir ou não agir, pois é inegável que ele precisa observar os bons costumes, aspectos religiosos, passando ainda por fatores morais e éticos, pois só assim, terá condições de manifestar seu livre-arbítrio.

    Essa maturidade é como se a vontade transparecesse buscar o bem. Mas, quantos bens existem no mundo? São inúmeros, alguns imperfeitos, outros tão distintos, mas mesmo assim, com equílibrio espiritual e sob a égide do livre-arbítrio é possível decidir o caminho a ser trilhado.

    Pode até parecer que essa observância transpareça um sistema de pressão em relação ao livre-arbítrio, porém, na nossa visão pode até ser, mas é preciso para que ocorra equilíbrio no instante da escolha a ser adotada.

    Esse equilíbrio decorre justamente do aperfeiçoamento espiritual, que viabiliza a maturidade de avaliação do contexto vivido, a fim de encaminhar o homem para uma decisão que fique entre os impulsos dos desejos e a própria razão.

    O homem necessita ser livre, mas, precisa observar todos esses aspectos acima enumerados, pois terá assim o principal instrumento para utilizar no aplanar da denominada Pedra Bruta.

    Deve buscar sempre decidir sob a influência do equilíbrio e conversando com Deus, pois assim, conseguirá o aperfeiçoamento tão desejado no campo espiritual.


  • "A Festa do Rosário"

    Publicado em Oct 10, 2014

    Eu tinha cinco anos de idade quando na companhia de meus pais e do meu irmão Cacá , num fuscão bege, saímos de Catolé do Rocha para Pombal.

    Era uma sexta-feira de outubro, já ao cair da tarde, quando chegamos ao lugar denominado “Triângulo”. Numa subida da BR 230 consegui enxergar Pombal, suas luzes a iluminar a Igreja Matriz e os parques de diversões, era a Festa do Rosário.

    Uma alegria enorme invadiu a minha alma. Contei os minutos para entrar em minha terra. Queria participar da festa, andar nos cavalinhos, na roda-gigante e tomar meu sorvete de abacate. Queria tirar uma foto sentado num carneirinho e recebê-la logo em seguida, em forma de monóculo.

    Das mãos do meu avô Antônio Rocha queria receber a pipoca e bolas de sopro. Lembro-me ainda que, sentado no colo da minha avó Raimunda observava-a jogar no bingo e, bafejada pela sorte, ganhar prêmios. E Nonato do doce?

    Figura que vinha no trem Asa Branca, com enormes latas de doce de caju, trazendo-as da Praia de Tibau, próxima de Mossoró-RN. Ele se instalava na casa do meu avô, onde passava toda a festa vendendo o seu doce e usufruindo das festividade.

    A Festa do Rosário tem o lado religioso e também profano. No religioso, até hoje o forte da festa é a procissão que sai da casa de Nossa Senhora do Rosário até chegar à frente da Igreja.

    Acompanhada do pároco, da Irmandade, com os irmãos que vestem as opas azul e branco. Ainda encontramos ao centro o Reisado, logo à frente os Negros dos Pontões abrindo caminho para a multidão e “Os Congos”, além da banda de música. Na frente da Igreja é celebrada a missa campal.

    A multidão participava e ainda participa daquele ato, alguns com coroas de espinhos na cabeça, outros com pedras e outros com os pés descalços ou a caminharem de joelho no chão. O importante é a fé, é agradecer a benção alcançada, é ouvir os badalos dos sinos, a pregação do padre e do professor Arlindo Ugulino. Todos se curvam e rezam.

    É o momento de reencontrar os parques de diversões, os amigos primeiros, a boa prosa, um calor intenso, além da saudade do doce de Nonato e de meus avós. Na Rua Nova, a grande roda gigante, Monga a impor medo as crianças e os cavalinhos. Infância e maturidade num só instante.

    Então, direi: - Gira a roda gigante, giram os cavalinhos, gira o tempo e eu aqui. A vida é para ser vivida intensamente. A Festa do Rosário tem o poder de impulsionar os reencontros e fustigar as lembranças, como também a saudade, mas, acima de tudo, entrega-nos a certeza de que somos felizes porque ainda estamos aqui revivendo e vivendo novos momentos.  


  • "As dores do mundo"

    Publicado em Sep 10, 2014

    Essa sensação desconfortável que nos leva ao sofrimento físico ou moral, que nos aflige e nos magoa se intitula “dor”. Como uma palavra tão pequena tem tanta força no nosso existir? Pensando nela, fico a imaginar quantas são as dores do Século XXI? São muitas e algumas nefastas demais.

    O mundo sofre com suas dores, que são efeitos de um tempo de drogas, terror, inveja, fome, miséria, incredulidade, desamor e insatisfações. O homem é o maior responsável pelas existência de suas próprias dores.

    Ele cria, alimenta e propaga ações que temperam as dores do mundo. Sofre com elas, mas não costuma assumir ser o autor maior dessas chagas. Aliás, isso não é novidade, pois a história conta que esse agir é uma característica da personalidade da maioria desses transeuntes que já viveram e que ainda vivem por este mundo.

    Não é possível que com tanta evolução, o homem continue a ser, em muitos instantes, o velho e ultrapassado bárbaro de priscas e longínquas eras. São inaceitáveis a guerra que mata inocentes, as decapitações, o desmatamento desenfreado, a poluição, a fome, o terrorismo e a luta do poder pelo poder.

    É triste perceber que o homem insiste em caminhar pelos trilhos da insanidade. É como se ele buscasse apostar na dor como forma de encontrar a felicidade, talvez uma felicidade pautada na torre frágil do materialismo.

    Se a dor existe, então, é preciso saber que todos são capazes de dominá-la, mas como nos ensina William Shakespeare, exceto quem a sente. Não sei se essa assertiva é verdade, o certo é que a dor causa incomodo, aflição e medo, por isso, no momento do sentir a pessoa muitas vezes se apavora e não consegue ter o equilíbrio necessário para enfrentá-la, ou mesmo, conviver com o sofrimento imposto por ela. Com isso, perde-se a batalha, corpo e alma padecem diante dos efeitos maléficos das dores.

    Não devemos temer a dor, pois todo vencedor, assim o é porque conseguiu vencer a dor. A dor deve ser vivenciada como forma e espaço de aperfeiçoamento espiritual. Não devemos olhá-la de maneira isolada, mas sempre buscando agregá-la a situações que proporcione um futuro melhor.

    A dor é necessária para o engradecimento do homem, pois é preciso que as dores sentidas possam fazer com que o homem compreenda que: - “Não basta sofrer; é preciso aproveitar o concurso da dor, convertendo-a em roteiro de luz”(Emmanuel ).

    Talvez não existisse dores se o homem compreendesse que a moeda divina é o amor e que o perdão é o caminho do desaparecimento do mal.