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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVA CRÔNICA: "Oração ao tempo"

    Publicado em May 26, 2015

    Tempo fugaz. Uma locomotiva veloz a nos conduzir. Da janela, olhares absortos a observar cenários diversos, que, tais como flashes, vão ficando contínua e rapidamente para trás.

    Um tempo de caminhantes azoados, de velhos, homens, mulheres e crianças que vem e vão, num transitar sem sonhos, restritos à escravidão da insolente violência e incredulidade, que conduzem uma grande parte da humanidade.

    Tempo de extremos. Uns tem a luxúria como travesseiro; outros a miséria como um imenso colchão de alfinetes. Uma legião foge da fome; outra esnoba o desperdício da fartura. Uns morrem à míngua nas filas do sistema de saúde; outros fenecem nos ambientes requintados da tecnologia e de renomados médicos.

    Tempo Mediterrâneo, de traficantes barcos que conduzem sobre as águas aldeotas que migram, fugindo da miserável fome e da barbárie de conflitos gerados por medíocres homens que fazem da busca pelo poder um caminho para o apocalipse.

    Tempo mediterrâneo, onde transatlânticos navegam sobre as águas levando o luxo para o desfrute de despreocupados turistas que visitam povos históricos, mas hoje atônitos por temerem na imigração um caos a quebrar uma aparente e presente ordem no velho continente.

    Um tempo de armas e drogas a fomentarem a expansão do crime organizado e a promoverem o dilaceramento da família, além do crescimento do caos na sociedade. Um tempo de equívocos, onde há destinação de vultosas verbas para patrocinar marchas da maconha, e, de outro lado, escassos orçamentos visando a abrigar e tratar os miseráveis desprovidos das cracolândias. Tempo insano. Sem amor ao próximo, onde o caminhar turvo e andarilho demonstra a frieza dos escuros becos da vida.

    Tempo demolidor, onde homens poluem e exterminam a natureza. Sem pena e dó, promovem a destruição de rios, mares e florestas, alterando a rota do equilíbrio da criação.

    Tempo desmemoriado, onde homens esquecem que dependem da Santa Natura para manter acesa a chama da vida e da sua própria existência. Tempo sem esperança. Tempo sem fé, onde uma nebulosa nuvem que vagueia pelo céu da humanidade a respingar o sentimento da descrença, instigando a ausência de forças para a reação.

    Tempo nos lembra Eclesiastes 3, Provérbio de Salomão, que nos ensina: Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Por isso, esperamos que estejamos no final desse tempo de tanta incredulidade, violência e desamor. Que se aproxime um tempo de reflexão, amor e construção de um novo mundo. Só há ódio, quando o amor não está presente. Só há guerra, quando a paz está ausente. Deus é amor! Vivamos o Amor!


  • "Nepal"

    Publicado em May 16, 2015

    A natureza é a presença de Deus no planeta Terra. O deslizar das águas de um rio que desce corredeiras buscando o abraço do oceano, ou, mesmo o ouvir do canto dos pássaros, a invadir nosso espírito, amenizando inquietações e fazendo brotar uma sensação de paz, são demonstrações iniludíveis da presença do Criador.

    A Santa Natura é professora paciente com o homem. Fornece à humanidade o alimento de cada dia, embora maltratada pelo próprio ser humano. Mas, mesmo assim, procura mostrar o caminho a ser seguido.

    Contudo, ultimamente, a Mãe Natureza vem demonstrando um grau maior de insatisfação, seja através de tsunamis, terremotos, de furacões, tornados, secas e enchentes. São tragédias naturais que representam respostas às ações de degradação praticadas pelo homem.

    Abril de 2015. A vez do Nepal. Um terremoto de 7,8 sacudiu os Himalaias. Matou mais de oito mil pessoas. Incrivelmente, o fenômeno natural, tamanha sua virulência, reduziu em um metro, numa faixa de terra de oitenta a cem quilômetros, a altura das montanhas, segundo o geólogo americano Richard Briggs, do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

    Cientistas também verificaram que o próprio pico do Himalaia também fora reduzido. Mesmo antes do terremoto, existiam alusões sobre a altura do Everest, pois consoante Christian Minet, geólogo do Centro Aeroespacial Alemão, o Everest havia sofrido uma redução de cerca de um metro e meio em sua altura.

    Essa colisão das placas tectônicas Indiana e Eurasiática diminuiu a grandeza do famoso monte, porém, outras áreas se elevaram, algo normal de acordo com os cientistas. Foi o caso da própria capital, Katmandu, e o lado sul das montanhas do Himalaia, que, com o choque das referidas placas, aumentaram de altura.

    Dezoito dias depois, 12 de maio de 2015, quando ainda se contavam as vítimas fatais, acolhiam-se os desabrigados, tratavam os feridos e continuavam com as operações de resgate, o Nepal foi sacudido novamente por outro grande sismo de magnitude de 7.3. A natureza, mais uma vez, avisou ao homem sua insatisfação.

    Além dos milhares de mortos, resolveu demonstrar que é capaz de reduzir até o tamanho do Everest. A Terra está em constante movimentação e acomodação, mas não podemos esquecer que o homem é peça importante nesse processo.Quantos milhões de litros de petróleo são extraídos por dia das profundezas do planeta? Essa extração interfere ou não no aceleramento desses eventos naturais?

    Temos que compreender que nossas ações podem acarretar o fim da humanidade, passando o planeta a ser um mundo sem alma. É possível reverter o quadro que desponta desolador. Antes que seja muito tarde.

    Onaldo Queiroga


  • "DROGAS: Nunca experimente"

    Publicado em Feb 5, 2015

    A droga é algo devastador. Seus efeitos e danos, talvez, sejam piores dos que decorrem de um terremoto, ou mesmo, de um tsunâme.

    O poder de aniquilamento daqueles que se aventuram pelo vício da maconha, cocaína, da merla, da heroína, etc é absurdamente cruel. Ela chega como se fosse uma fêmea deslumbrante, cativante e sensualmente atraente.

    Lhe seduz ao primeiro contato, mostra-lhe um mundo completamente de fantasias e depois lhe aprisiona e escraviza.

    O que inicialmente te conduz para um circuito de euforia, aos pouco também te leva para o inferno. As dores impostas por essa fêmea maldita invadem a existência humana e, sem pedir licença, sujeita o viciado a uma servidão mutiladora, levando com ele a família inteira, que passa a sofrer conjuntamente os males dos delirantes desvarios das drogas.

    Recententemente assistimos um depoimento de Paulo Cézar Caju, jogador da seleção brasileira de futebol ao jornalista Geneton Moraes, do Programa Dossiê, da Globo News.

    Nada mais, nada menos do que tricampeão do mundo com a seleção de 1970. o craque revela que saiu do paraíso para um submundo do desprezo, do abandono, do afastamento de amigos, da dilapidação do seu patrimônio e da degradação da suas própria existência, com risco de até mesmo perder sua vida. Foram dezesseis anos de vício. Tudo começou após encerrar sua carreira de jogador. Estava ele na França, quando experimentou pela primeira vez a cocaína.

    De volta ao Rio de Janeiro, a atraente e feiticeira cocaína o conquistou e o fez escravo. Completamente dominado pelo vício, ela passou perder amigos, como também o seu próprio patrimônio.

    Se desfez de três valorosos imóveis na glamorosa Lagoa Rodrigues de Freitas. A cocaína, ainda, levou suas correntes de ouro, a medalha da copa do mundo de 1970 e uma miniatura, em ouro, da Taça Jules Rimet, comendas preciosas para o menino pobre, filho de uma empregada doméstica que se fez atleta e tornou-se um dos grandes nomes do nosso futebol.

    No fundo do poço, Caju esclarece que foi uma médica francesa que lhe afirmou: Ou você deixa o vício, ou morrerá em pouco tempo de vida. Como não fumava, nem ingeria bebida alcoólica, então, foi mais fácil se livrar da única droga que o consumia, a cocaína.

    Há mais de quinze que Caju se libertou das drogas. No final da entrevista, lançou um conselho, em tom, dramático e de apelo:"Digo a quem nunca experimentou drogas: não experimente! Só isso: não experimente! São mortais". Ou o homem acorda e aniquila a droga, ou esta lhe enviará definitivamente para um cativeiro apocalíptico.