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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVA CRÔNICA: "Onde o vento faz a curva"

    Publicado em Apr 24, 2015

    A infância de hoje é muito diferente da que eu vivi. Atualmente, as crianças são vidradas no vídeo-game e nos canais infantis, onde o virtual quase se assemelha ao real.

    Brincam com jogos que na maioria das vezes retratam guerras, ações de bandidos contra policiais, ou seja, que levam meninos e meninas para um mundo repleto de violência, quando não de monstros orientais.

    No meu tempo, assistíamos a desenhos animados, em canal aberto na televisão, como, por exemplo, o do Zé Colméia, Fred e Barney, Scooby Doo, Manda-Chuva, Batman, Vila Sésamo e outros.

    Eram mais leves, sem violência tão explícita. Criados nesse mundo, principalmente quando ainda morávamos no sertão, tínhamos a possibilidade também de ouvir narrativas voltadas para estórias de Saci Pererê, da Cuca, do Papa-Figo, do Boitatá, da Mula-sem-Cabeça, do Curupira, Lobisomem e Bicho-Papão.

    Lendas do folclore brasileiro, que minha avó Raimunda, em noites sertanejas, costumava nos contar, levando-nos a flutuar em pensamentos sobre essas fabulosas estórias.

    Esses contos quiméricos estão se perdendo no tempo. Hoje, nem as mães e nem as escolas recontam às crianças essas fantásticas e lendárias estórias do nosso folclore.

    Pouco a pouco, estamos apagando a nossa cultura. É um momento leviano, insensato, que tem que ser repensado por todos nós. Somos culpados, pois muitas vezes fechamos os olhos, preferindo nos cobrir com o manto da inércia.

    É mais fácil agir assim e jogar a culpa nos outros. Se não cobramos, passamos a ser coniventes com toda essa estrutura, que, impiedosamente, vem aniquilando a cultura de raiz do nosso povo.

    Mas esse umbrático folclore, ainda, é forte. Basta caminhar pelo sertão, por suas feiras livres, ouvir a voz do homem do campo, que logo se encontram fascinantes histórias e estórias.

    Recentemente, uma criança, filho de um amigo, nos acompanhou em meio às bancas e aos frequentadores de uma dessas feiras. Enquanto eu comprava frutas, o menino começou a prestar atenção na conversa de dois caboclos. Um deles perguntou ao outro: " - O compadre ainda mora no Mufumbo? O outro respondeu: " - Moro. Lugar longe, lá onde o vento faz a curva.

    Deixamos a feira, mas o menino ficou o dia inteiro martelando no seu imaginário. Queria saber onde ficava o lugar localizado “onde o vento faz a curva”. Expliquei que era uma expressão, usada para dizer que o lugar era distante, longe e até, às vezes, de difícil acesso. A feira também é escola. Nela se ensina e aprende muita coisa.


  • "As pedras de Ica"

    Publicado em Dec 4, 2015

    Inegável que o mundo do Século XXI é bastante evoluído, proporcionando ao homem uma vida mais confortável e digna.

    A falada evolução não conseguiu afastar os enigmas que perduram sobre o solo da terra. Exemplo disso são os mistérios das pirâmides do Egito, as erguidas pelos Astecas, Incas e Maias, localizadas no México, América Central e Peru.

    O que dizer das linhas de Nazca? Localizadas no Peru, datam de muitos anos antes de Cristo, e, como as pirâmides, possuem linhas alinhadas com as estrelas, principalmente com a constelação de Orion. Mas, afinal, quem construiu tudo isso? O homem ou alienígenas? Eis o enigma!

    E quanto as pedras de Ica? No lugarejo “Ocucaje”, situado em Ica, Peru, encontramos, no deserto de Icano, um dos maiores sítios arqueológicos do mundo, onde até hoje se descobrem inúmeros fósseis de dinossauros com 25 milhões de anos, além de mais de onze mil pedras vulcânicas. Nelas, minuciosos desenhos mostrando situações de vida de um tempo que remonta à era dos dinossauros.

    O estranho é que esses desenhos mostram a convivência de homens de crânios alongados com dinossauros; animais e símbolos abstratos; humanos usando telescópios, chapéus, roupas e sapatos, além do transplante de órgãos entre homens, o nascimento via cesariana e um mapa do mundo diferente do de hoje.

    Essas pedras foram descobertas em escavações no século XVI e levadas para a Espanha. Foram novamente trazidas à luz do mundo nos anos sessenta do século XX, quando Basílio Uschuya, um simples homem daquela área desértica, presenteou o médico Javier Cabrera Darquea com inúmeras pedras. Cabrera começou a colecionar e estudá-las.

    Logo trataram de levantar teorias, inclusive, a de que tudo era uma farsa. Em 2002, contudo, após a morte de Cabrera, num documentário intitulado “Dinossauros – A história proibida, parte 6”, Basílio leva os documentaristas até o deserto de Icano, onde, sob as lentes das câmeras, são realizadas diversas retiradas de pedras, todas com esses desenhos. As pedras estão em museus na cidade de Ica, no Peru, e são mencionadas no livro “Segredos das Pedras de Ica e Linhas de Nazca”, de autoria de Dennis Swift.

    O tempo e as pedras carregam mistérios, segredos que colocam interrogações no pensamento da humanidade. Se verdadeiras, indaga-se:como essa civilização desapareceu? Eis o enigma.


  • "Colapso silencioso"

    Publicado em Apr 4, 2015

    Não precisa ser expert para notar a mudançaque vem se verificando no fluxo das marés. O homem mexe aqui, mexe acolá, e acredita que sua interferência em nada altera o curso das coisas. Ledo engano.

    Temos constatado que em nosso litoral é visível o avanço da maré. Com isso, os danos materiais estão aumentando a cada novo dia, e causando transtornos incalculáveis.

    Bares, restaurantes e imóveis residenciais são os que mais sofrem o impacto da intensa progressão do mar. Mas, é aquela história: quando se altera a realidade, obviamente a natureza tratará de buscar meios de acomodar sua existência.

    É inegável que as obras do Porto de SUAPE e o aterro promovido nas praias da região metropolitana de Recife estão fazendo com que o mar procure se reacomodar em outros locais. Assim, parece-nos que o avanço das águas marítimas nas praias do Seixas, Cabo Branco e, principalmente, no Poço, deve ter alguma coisa relacionada com esses aspectos registrados no vizinho Estado de Pernambuco.

    É evidente que a poluição, aliada ao desmatamento, vem ocasionando uma crescente afetação das geleiras, que dia a dia perdem a vitalidade, ocasionando o descongelamento minuto a minuto, fenômeno leva mais água para os oceanos.

    É bem verdade que a poluição vem impactando não só espaços terrestres de nosso planeta, mas também o próprio mundo aquático, que experimenta impiedosamente os efeitos nefastos da ação do homem. Recentemente, Ivan Macfadyem, acostumado a percorrer milhas e milhas náuticas, inclusive sendo um assíduo navegador do oceano Pacífico, relatou uma assustadora constatação.Ao chegar da sua última travessia pelo citado oceano, o aludido navegador, perplexo, comentou: - “Estava acostumado a ver tartarugas, golfinhos, tubarões e muita aves migratórias. Desta vez, porém, por três milhas náuticas, não havia nada vivo à vista”.

    Na verdade, ele presenciou uma enorme extensão do mar, antes vibrante, contudo, agora coberta de lixo. É o fenômeno denominado de colapso silencioso. Todos os dias somos responsáveis por ações inúmeras de aniquilamento da natureza.

    Estamos num processo contínuo de assassinato da mãe natureza. E, com isso, ocorrem mudanças climáticas, sobrepesca, acidificação e poluição, que provocam a morte de incontáveis espécies de seres vivos, seja na terra, ou sob a água.

    A insanidade humana está, sem piedade, devastando milênios de esplendorosas belezas que o Criador nos colocou à disposição, sem nos cobrar um centavo sequer. Patente a falta de interesse político daqueles que governam o mundo para solucionar essa situação. O grande capital atropela tudo e todos. O que importa é a fartura da vil luxuria. Acordemos e nos mobilizemos, antes que seja tarde!