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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • NOVO ARTIGO: “Flor cearense”

    Publicado em May 20, 2013

    Tu és uma flor cearense que brotou em meio às águas de Iracema. Bebestes o saber de José de Alencar e a redação fácil de Carmelita Setúbal. Trouxestes a religiosidade de Antônio e Raimunda Rocha.

    Foi na confluência dos Rios Piancó, Piranhas e Peixe que eles te cultivaram para o mundo, época em que te chamavam de “Galega”, aquela menina bela, inteligente, sapeca e de alto astral.

    No sertão dos holandeses transformastes a seca em águas límpidas escorrendo pelas biqueiras de tempos inocentes, águas que desciam e lavavam sua Rua João Pessoa, berço de sua infância, adolescência, tristezas, glórias e eternas lembranças.

    Aquele cenário sempre foi e será templo sagrado dessa menina. Pombal foi regando-a e aos poucos o tempo foi transformando-a numa flor paraibana. No início da década de 1960 conheceu seu amor e companheiro com quem se casou em 1965.

    Após residir em Catolé do Rocha e Campina Grande, o tempo transportou a menina cearense para a capital paraibana. A flor, agora, era das acácias, dos corredores da antiga Faculdade de Direito da Praça João Pessoa, onde formou-se em 1976, e, logo depois de aluna tornou-se professora de Direito Penal.

    Nesse tempo a menina já era uma loira dos outonos da maturidade, que em contos, começou a contar os seus próprios contos. Seguindo os passos de sua tia Carmelita, de acadêmica passou também a ser escritora, entregando ao mundo seus livros, seus pensamentos e suas idéias.

    A Galega dos jardins de minha vida é uma pérola dos mares do futuro cearense, do Cine Luz de Pombal, da praia de Tambaú, do farol da Ponta do Seixas, que nas noites sem Lua, espelhando bússola, norteia seus navegantes.

    Essa flor das fortalezas, de Rochedos, ancoradores de ondas enfurecidas, de praias belas e que a tudo abraça, é na verdade a timoneira dos herdeiros da Nova Acauan. Rocha das soluções, sim tu sempre foi e será a acácia Iracema na terra dos coqueirais e da porta do sol oriental.

    Essa flor é minha mãe, Onélia. Um brilhante que reluz paz, que nos guia pelas veredas tortuosas de tempos e tempos. Na sua nave não há tempestade que não possa ser vencida.

    No seu coração, só alegria. Verdadeira, mulher que fala olhando no olho. Não foge de seus princípios para agradar ninguém. Já me indagaram se tu tens defeitos, e logo respondi: não sei, apenas agradeço a Deus por ter me permitido ser seu filho.


  • "A sinfonia do carro de boi"

    Publicado em Apr 22, 2013

    Existem sons que guardamos para toda a vida. Quem é do mato conhece bem o som produzido pelas rodas do carro de boi, sim, aquele rangido que logo identifica os passos morosos de um boi manso e tão faceiro.

    Meu pai, por exemplo, guarda em seu pensamento a lembrança de uma junta de boi, remanso e correnteza, que puxava as moendas do engenho da sua eterna Nova Acauan, como também em outros momentos puxava a sonoridade do carro de boi, e, ainda hoje puxa os sonhos de um tempo chamado saudade.

    Aquele som é inconfundível e nos remete à um mundo repleto de coisas boas e de saudosas memórias. Ao ouvi-lo logo somos encaminhados para a tranquilidade do campo, como diz o poeta “como é bonito agente ver em plena mata o amanhecer”. Realmente o caminhar vagaroso do carro de boi e o som que dele emerge, imaginariamente, nos transporta para uma casa de fazenda, a alvorada, o sol nascente e a passarada. Um mundo onde o contato com a natureza nos coloca num estado espiritual de maior relaxamento e de paz interior.

    A sinfonia do carro de boi é algo singular, esplendoroso, majestoso e eterno. Quem já viveu embrenhado nesse mundo rural sabe da força e da sutileza desse som, mágico e intrigante, como o próprio passar do tempo.

    Nele encontramos lembranças distantes que às vezes nos coloca n'alma pingos de nostalgia, mas na maioria das vezes uma nostalgia com pitadas de alegria, pois dele extraímos a certeza de que somos abençoados por Deus, que nos permitiu viver e rememorar tempos guiados pela sonoridade desse carro.

    Nas andanças pelos sertões, ainda hoje encontramos, de vez em quando, um carro de boi, que pelas veredas desse mundo tão eletrizante, continua a andar em passos lentos levando ao nossos ouvidos o mesmo rangido de suas rodas de madeira de um caminhar tranquilo de tempos idos.

    A mansidão do carro de boi demonstra que não é preciso correr tanto, ao ponto de impor elevado estresse ao nosso existir, pois é devagar que temos condições de melhor sentir a natureza, o calor da amizade, a harmonia de uma família unida e de uma sociedade mais justa.

    Foi olhando para um desses carros que dias atrás nos veio a reflexão de que só há uma época na vida em que desejamos ficar mais velhos, ou seja, é quando somos crianças. Mas a maturidade chega, e, inversamente, sonhamos com o tempo de criança, apenas sonhamos, pois o que passou, passou e temos sim que seguir em frente, mas o importante é seguir sob o som do carro de boi.


  • “Fernanda Ellen: O perigo mora ao lado”

    Publicado em Apr 17, 2013

    Uma criança alegre, bonita, cheia de sonhos, querida por todos que a conheciam e com um mundo inteiro para descortinar. Refiro-me a Fernanda Ellen.

    Ela que num passo de mágica, simplesmente sumiu, desapareceu, como tantas outras crianças somem todos os dias neste país.

    A noite chegou, a madrugada também, o dia seguinte raiou e nada da menina. Todos passaram a indagar: onde está Fernanda Ellen? Sequestrada, morta, o que realmente teria acontecido?

    Mobilizou-se mídia, polícia, redes sociais e o tempo passava, porém, nada de Fernanda. A família angustiada, sofria e alimentava a esperança de encontrá-la viva.

    A maldade do mundo especulava, surgiam trotes e estórias sobre o sumiço, dificultando as investigações desenvolvidas pelas autoridades competentes. Falou-se que ela foi levada por um caminhoneiro, eram versões e mais versões, mas nem sinal da menina.

    O tempo foi passando, a cobrança aumentando em relação as investigações e nada de Ellen. Mas como diz o dito popular, não há crime perfeito, sempre existe um descuido que permite a revelação da verdade.

    Não poderia ser diferente no caso “Fernanda Ellen”. Contudo, o que impressiona é que às vezes a vida se confunde com a ficção. Logo que soube do desfecho, lembrei-me do filme “O Perigo Mora ao Lado”, inspirado nas obras de Alfred Hitchcock, película que narra as suspeitas de uma jovem convencida que o seu vizinho é um assassino.

    Pois bem. Passados três meses do desaparecimento, após um rastreamento realizado pela polícia em relação ao aparelho celular de Ellen, chegou-se ao retrato falado do assassino. E a ficção, infelizmente, tornou-se realidade.

    Um vizinho, inicialmente, que não levantava qualquer suspeita era o responsável pelo sumiço e morte dela. A frieza da ação criminosa nos deixou perplexo, pois após matá-la a enterrou no quintal de sua casa e ainda participou das buscas e dividiu as dores com a família da vítima.

    Um monstro. Tudo isso em nome da droga e da perversidade de ser sem sentimentos. A vida de Ellen trocada por algumas pedras de crack. Meu Deus! É preciso afastar do nosso tempo as drogas e seus males inimaginavelmente cruéis.

    A maconha, a cocaína e o crack devastam famílias e a própria sociedade. Há uma sensação de impotência que não pode prevalecer. O poder estatal e a própria sociedade devem reagir em nome da paz social.

    Por isso, sou contra a marcha da maconha, ela é a porta de entrada para um inferno sem volta. A insanidade desse mundo interrompeu os sonhos e a vida dessa garota, Que Deus a tenha!