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Onaldo Queiroga

Coluna Crônicas por Onaldo Queiroga

Onaldo Queiroga é pombalense - Juiz da 5ª Vara Cível da Capital - Escritor de vários livros. CONTATOS: onaldoqueiroga@oi.com.br



  • "Conselhos"

    Publicado em Jan 13, 2015

    Se conselho fosse bom não se dava, se vendia. O fato é que na maioria das vezes não aceitamos conselhos, costumamos ouvi-los, mas em vez de segui-los, os desprezamos, mesmo que isso resulte em consequências indesejáveis.

    Quantas vezes nossos pais não nos aconselham, nos orientam para não andar com fulano, nem querer conversa com sicrano, pois não são boas companhias, inclusive nessas ocasiões afirmam: “Dize-me com quem tu andas, que de te direi quem és”.

    Em outros momentos nos mostram o caminho a ser trilhado, seja na área educacional, profissional ou mesmo na nossa vida amorosa. São cuidados dispensados por pais verdadeiramente preocupados com seus filhos, mas que muitas vezes são encarados como interferências indevidas, já que cada um tem o direito de seguir o seu caminho, decidir o que fazer de sua vida.

    A verdade é que a vida nos demonstra que tratando-se de conselhos, é importante que paremos um pouco para refletirmos sobre as orientações que nos são prestadas e que devemos analisá-las com carinho antes que tomemos alguma decisão. O pior é quando o desprezo pelo conselho passa a ser crônico e acompanha o indivíduo por toda vida.

    Alimentado pela teimosia e prepotência, a pessoa, mesmo diante dos conselhos e cônscio de sua importância, continua a agir por conta de seus impulsos e termina por incorrer naquele ditado que diz: errar é humano, mas persistir no erro é burrice. São os casos daqueles cidadãos que, por mais que você fale, nada vale, pois você está falando para quem não quer ouvir.

    O que se vê é um repúdio inconteste em relação à negativa de reflexão sobre os conselhos que nos são repassados pelos mais velhos, demonstrando a ausência enorme de simplicidade.

    É possível que isso decorra do imediatismo materialista existente nos dias atuais, apesar da história humana demonstrar a presença de tal rebeldia, de forma pontual, em todas as fases já vividas pelo homem. Muitas vezes o filho encontra-se trilhando um caminho equivocado, o conselho do pai chega a ter características de rogação, de uma súplica desesperada e, mesmo assim, o filho não o atende, ou, quando resolve atendê-lo, lhe impõe o fardo de ser o responsável por qualquer tragédia que venha a lhe acontecer, esquecendo do ensinamento de Emmanuel que diz: “Entre a rogativa e a concessão está o proveito”.

    É certo que algumas vezes o conselho quando vem de quem não nos quer bem, então, nos empurra para a amargura, porém, é preciso que o homem não deixe que a vaidade seja uma das pedras no seu caminho, pois impede que ele compreenda que conselho é algo para ser ouvido e refletido, antes de seguir adiante. Só assim sob reflexão é possível o conselho é do bem ou do mal.


  • "Feliz 2015"

    Publicado em Jun 1, 2015

    Descortina-se mais um ano. Agora vivenciaremos 2015. Não é ano de copa do mundo, nem de eleições. Mas, é um novo ano, mais um ciclo que se inicia e devemos trazer conosco a esperança por dias melhores.

    2014 foi um período de muitos sonhos que não foram realizados. Na verdade transformaram-se em decepções. Quem não se lembra da tão sonhada copa do mundo de futebol? Perdemos a copa com o inaceitável sete a um, uma goleada alemã em pleno território mineiro.

    Em 2015, agora só resta sonhar com a copa de 2018, temos que colocar o pé no gramado com planejamento e começar a correr atrás de resultados nas eliminatórias. Mas não foi só o resultado desfavorável que nos deixou triste. Obras que serviriam a estrutura do referido evento, umas não foram concluídas, outras sofreram acusações de superfaturamento, de desvios, etc.

    O ano passado ficará marcado pelo ápice do inimaginável em se tratando de corrupção. Foram tantos os casos, contudo, teve um que nos causou profundo desalento, o da Petrobras.

    Uma violência inaceitável contra o patrimônio do cidadão brasileiro. Contudo, é preciso sempre acreditar em dias melhores, em mudanças, não só de roupa e de CPF, mas de condutas e de ações que possam efetivamente quebrar de vez esse agir em nome da corrupção e da indignidade. Nada sabemos sobre o instante seguinte, mas é preciso continuar sonhando, perseverar por uma reviravolta da índole humana.

    Temos que continuar lutando contra a maldita droga, o crack que transforma homens em zumbis. Lutar por um mundo justo, com menos guerra e medo. Estender a mão com mais proficiência para os desassistidos da África, onde a sede, as pandemias e a fome matam aos milhares, sem pena e sem dó.

    Esperamos que em 2015 vejamos menos violência nos noticiários. Aliás, também menos notícias sobre corrupção, sobre tragédias homíneas e naturais. Sou daqueles que acredita que a esperança nunca morre, mesmo diante do cenário nefasto que o mundo de hoje nos apresenta.

    Sempre acreditarei na solidariedade e na paz, por isso, sonho com dias mais alvissareiros em 2015, e, com ele, o redirecionamento do nosso existir, com homens voltados para o amor. Em 2015 talvez americanos e cubanos demonstrem ao mundo que é possível conviverem sem embargos, sem bloqueios e sem ódio. Talvez palestinos e israelenses sentem novamente para conversarem sobre paz, sobre um mundo sem bombas, onde canhões sejam substituídos por flores.

    Jamais podemos perder a esperança. O verde dos pastos substituirá a cinzenta cor da estiagem. É preciso ter fé, continuar sonhando, vencer a escuridão através da perseverança, da solidariedade e do amor. Feliz 2015!


  • "O tempo e a ferrugem da vida"

    Publicado em Nov 29, 2014

    Disse um poeta que o tempo sempre é menino. Verdade. Passam os anos, chegam os cabelos brancos, amadurecemos, as articulações sinalizam a fatiga da longa caminhada, mas ele, o tempo, nunca envelhece.

    O tempo nos conduz pelo mundo, minuto a minuto. De mãos dadas com ele atravessamos crepúsculos, noites sem estrelas e lua, escuridões, tempestades e esquinas de ingratidões. Mas, o mesmo tempo também nos leva a conhecer noites claras, banhadas pela luz exuberante da branca lua. Noites sonoras, de notas encantadoras que surgem do dedilhar das cordas de violões seresteiros que cantam o amor e alimentam sonhos de casais de enamorados.

    Será que o tempo é Deus, Senhor que de tudo faz e pode? Ele conduz nossas vidas, às vezes caminha lento, deixa a sensação de que não passa, mas quando menos esperamos, basta olhar para trás e logo percebemos que ele voou, passou rápido e ainda no trajeto saiu talhando rugas no nosso rosto.

    Talvez a ganância costurada pela vontade de sempre se lutar, lutar a todo custo para alcançar sonhos materiais esteja fazendo com que o ser humano não perceba o quanto o tempo é veloz, o quanto é efêmero, porém, sempre menino.

    No galope desse tempo, muitas vezes quando constatamos que ele passou, então, começa aí a aflorar a idéia de que poderíamos ter corrido menos e usufruído melhor os dias, vivenciado com mais tranqüilidade o caminhar da vida com a família, estendido mais a mão aos nossos semelhantes, abraçado com maior intensidade nossos pais, andado devagar pelas areias da praia, contemplando a imensidão do mar que tanto tem a nos ensinar.

    O pior é que o tempo não tem ferrugem, esse mal na verdade, sem pedir licença, sem que percebamos, sorrateiramente com auxílio do próprio tempo invade a matéria que abriga nosso espírito e começa a nos mostrar o quanto somos frágeis. O incrível é assistir pessoas se intitularem deuses, acreditarem que a terra gira em torno delas, quando não passam, como nós, de meros transeuntes desse mundo terra.

    Engrossam o pescoço, agem como ditadores, se acham imortais, fomentam intrigas, mas esquecem que num estralo de dedo o tempo pode mudar tudo, levar o homem do luxo a miséria, da saúde a enfermidade, do assédio dos bajuladores a solidão do ostracismo.

    Um antídoto importante para retardar a ferrugem da vida é a prática da solidariedade, vivenciar o amor e está sempre sintonizado com os ensinamentos de Deus. Só assim aperfeiçoaremos o espírito para transitar dignamente pela vida e com naturalidade aceitar a morte.