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Verão de 1987 teve lata de maconha a US$ 500, revela autor

Publicado em 16.07.2012
Verão de 1987 teve lata de maconha a US$ 500, revela autor

Você nunca ouviu falar de latas reluzentes espalhadas pelas praias do Rio de Janeiro e norte de São Paulo, contendo entre 1,3 kg e 1,5kg de Cannabis sativa prensada cada? Que uma delas chegou a custar US$ 500? Acha que não passa de lenda urbana?

Foi justamente ao perceber que jovens de décadas posteriores à de 80 não acreditavam nesta história que nasceu Verão da Lata, foto-livro recém-publicado do jornalista Wilson Aquino sobre o caso da embarcação de bandeira panamenha que jogou 15 mil latas de maconha na costa brasileira, em agosto de 1987.

No total, foram despejadas 22 t da droga no oceano Atlântico, depois que a DEA, divisão de narcóticos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, obteve a informação da mercadoria ilegal e repassou para a Polícia Federal brasileira.

O navio, vindo da Austrália, pararia no Brasil, de onde a droga seguiria para Miami em duas embarcações menores.

"O barco pertencia a uma firma cuja matriz era na Suíça, mas tinha uma filial no Panamá. O propósito era levar essa embarcação para o Panamá. Mas, antes disso, eles pararam em Singapura para abastecer com 15 mil latas de maconha", explica o autor. "Nesse meio tempo prenderam um dos chefes (do grupo) do tráfico lá em Nova York, e devem ter ficado sabendo de todo o carregamento. Os caras (da tripulação) sabiam que o negócio tinha vazado. Fizeram duas baitas operações, e não encontraram nada".

Isso porque as latas, depois da prisão, foram todas jogadas ao mar. O que os tripulantes não imaginavam era que elas fossem boiar pacientemente para revolucionar o verão do ano seguinte. Elas foram aparecendo aos poucos, sendo descobertas, e caindo no boca-a-boca. "Como eu morava no subúrbio, a gente só ouvia falar. Estava mais com quem morava perto do mar", relembra o jornalista. Só que a história se espalhou rapidamente, virou caso de polícia, originou uma busca pela novidade verde e enlatada e mudou até a gíria de quem não conseguia acreditar no que estava acontecendo de fato.

"Começaram a alugar lancha para ir atrás de lata. A polícia começou a fazer operação nos cais, em qualquer barco na marina tinha sempre policial abordando. Navio da Petrobras ajudou a pegar e recolher", conta o autor. Mas não se impediu o mercado negro, afinal, era impossível recuperar 15 mil latas, e uma unidade chegou a ser negociada por até US$ 500. "Eram latas semelhantes às de suco de laranja industrial, feitas com alta qualidade, fechadas a vácuo, que era uma coisa recente para época. Então era uma lata perfeita. Só não tinha rótulo. E ela estava vindo junto com latas de suco de tomate, como se fosse um carregamento de sucos", detalha.

A maconha estava embebida em mel e tinha uma concentração maior que os cigarros proibidos que circulavam no final dos anos 80. "Tanto é que essa expressão 'da lata' virou gíria para algo que tinha qualidade. O cara falava: 'essa comida tá da lata', ou 'o refrigerante da lata', essas coisas. Virou sinônimo de algo de qualidade. "E essa droga, além de ser diferente, vinha da Ásia, toda comprimida. Quando abria a lata, saía aquela pressão e conforme você ia tirando, parecia que não tinha fundo de tanta maconha que tinha", complementa sobre o que os entrevistados relataram.

Quando foi finalmente achado pelas autoridades brasileiras, o Solana Star estava praticamente às moscas, e à deriva, com o motor quebrado. Sobrou tudo para o cozinheiro Stephen Skelton, o único incriminado pelas 22 t de Cannabis, já que o restante da tripulação havia partido para os EUA, enquanto ele aguardava pelo conserto. Foi condenado a 20 anos de prisão, pena que, um ano depois, foi suspensa pelo Tribunal Federal de Recursos.

 

FONTE: ANDRÉ NADDEO - TERRA
 

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